10 de agosto de 2006

WELCOME TO THIEVES PARADISE

O obviamente insano presidente da Madeira (nome real do cargo, uma vez que "rei" e "imperador" seriam inconstitucionais) apelou mais uma vez a todos os empresários que quiserem fugir aos impostos em Portugal. Quem achar que andar a pagar o que a lei fiscal determina não é bom, que se transfira para o domícilio fiscal da Região Autónoma da Madeira. "É que aqui nem sequer há bufos», afirmou. Recorde-se que na Madeira o IVA varia entre os 15%, 8% e 4% contra 21%, 12% e 5% aplicados de norte a sul do País. No IRS a diferença representa menos 6 pontos percentuais no escalão máximo (fonte DN/Diário Digital, jornais actualmente colados à direita portuguesa, depreendo que insuspeitos, portanto).
Há amigos madeirenses que acham que se exagera ao ligar a este tipo de ideias, mas a verdade é que Jardim simboliza o lado pior da democracia: o ter de aturar desaforos de um político sem vergonha e que se acha (e é) imune às regras que regem os restantes habitantes do seu país. A atitude dele deveria encher de vergonha quem tem de habitar no arquipélago e que acredita que se pode desenvolver uma região sem atropelos constantes a tudo o que a maioria dos portugueses se habituou a considerar como valores fundamentais no pós-25 de Abril. A honestidade, por exemplo.
De qualquer maneira, não seria preciso ele vir lembrar que enquanto este governo por lá se mantiver a corrupção e a pouca-vergonha serão bem vindas. Há mais de 9 milhões de outros portugueses que estão fartos de saber isso. Diria até, muito fartos!

8 de agosto de 2006

teatro em agosto

Para os que não vão de férias este mês, há peças em cena.
Por exemplo, esta:
Théâtre des Oreilles_Oú habite le théâtre?

3, 4, 10 e 11 de Agosto às 21h30

Informações aqui

7 de agosto de 2006

E POR FALAR EM ACTORES DE NOVELAS...

Leio na folha online que um actor participante numa coisa que está a passar na SIC (creio), Cobras&Lagartos, invadiu os estúdios Projac, da Globo, em "sunga", disparando tiros para o ar.


Imagem de Dualib em carteira de motorista

"Estou me sentindo um pouco isolado e espero que a minha família e o Corinthians me ajudem", afirmou Dualib, que foi transferido ontem da 32ª DP (Jacarepaguá) para um centro de detenção provisória na zona norte do Rio. Dualib vai responder processo por tentativa de homicídio e ameaça e deve aguardar a decisão da Justiça detido. O ator afirma, no entanto, que só atirou para o alto e contra alguns vidros. "Tive um surto artístico", classificou. Ontem, ele não recebeu nenhuma visita da família. Ainda no começo da tarde, o presidente do conselho deliberativo do Corinthians, José de Castro Biggi, aprovou a expulsão do ator, que era "conselheiro vitalício" do clube.

A mãe de um actor português de quem não me lembro o nome, mas que é amigo do Santana Lopes, já mandou deitar fora todos os calções de natação do rapaz. "Gosto muito do meu filho, por isso, já fui ao Rosa&Teixeira para que lhe fizessem calções com perna, às riscas verdes e cor-de-rosa".
O MÉTODO

Ser actor não é para qualquer um. A provar isto estão as declarações de uma jovem actriz de Morangos com Açúcar, que se passeia pelo Algarve com o namorado. Sobre a preparação para o papel que desempenha na novela, face ao que executava na novela anterior, declarou: "Voltei a usar o cabelo mais comprido. Fiz extensões e estou com um tom diferente. Não tive de fazer uma grande mudança?. A miudagem que assiste só para lhe ver o corpinho concorda com este método.

5 de agosto de 2006



O MILAGRE DE OURIQUE

Numa tentativa de provar que ainda há pessoal vivo no ministério da cultura, a despeito da ausência de sinais vitais desde o início do mandato, a ministra lá assinou um despacho que permite a exumação dos ossos de Afonso Henriques, avô de todos nós. Desconheço o interesse dos investigadores da Universidade de Coimbra por este pedido. A não ser que queiram descobrir como é que se pode tropeçar nos próprios pés durante 800 anos, não estou a ver. Mas enfim, cada um sabe de si, e a investigação universitária em Portugal vale o que vale. A ministra, é que num rasgo de garantias metodológicas exigiu o cumprimento de uma série de medidas de cautela no processo. Uma lista extensa, ao que consta. O último ítem terá sido, porém muito claro, embora misterioso e exigiria especificamente a proibição de Paulo Portas posar em lingerie finlandesa, ao lado das ossadas, ostentando ao pescoço um letreiro a dizer "Sou chegado no Retro - Porto Galinhas for ever!". Manuel Monteiro poderá ter vindo protestar por não ter sido referido na lista de proibições.

4 de agosto de 2006




TROCA-SE UM DIA DE ESCRITOR POR UMA TOALHA NA PRAIA

As minhas vizinhas devem imaginar que vivo da droga ou do desemprego. Eu no lugar delas também era capaz de pensar o mesmo, se visse todos os dias, de manhã à noite, um tipo que não sai de casa, assomando, desgrenhado, à micro-varanda para avaliar se o Verão ainda lá está, ou para tentar avistar o carro que estacionou no mesmo sítio, muitos dias atrás, e onde os pombos desenharam com excrementos "Welcome to the real world".
Se alguém quiser uma vida de escritor com romance para entregar na gráfica, JÁ,JÁ, e que ganha paralelamente o pão como argumentista com deadlines tão pequeninos que seria preciso uma lupa para os ver, que avance. Não que eu não goste desta tortura. Mas, hoje, só hoje, trocava a conversa com as minhas personagens por um lugarzinho na areia...

2 de agosto de 2006

HOJE VOU À LAPIDAÇÃO

A rapaziada que se divertiu a torturar e a matar um transexual do Porto foi condenada a 11 e 13 meses de internamento num "estabelecimento". A descrição do crime colectivo foi elucidativa. Ao longo de vários dias foram ter com o toxicodependente, batendo-lhe primeiro, porque tinham curiosidade "em ver um gajo com mamas" depois voltaram a agredi-lo com gravidade. Regressaram ainda para lhe atirar com barrotes de madeira para cima e como ele estava inanimado, atiraram-no para um poço, juntando-lhe os barrotes para ter a certeza de que se afogaria. "Uma brincadeira de mau-gosto", na opinião benevolente dos juizes. Julgo que se refeririam ao gosto da água estagnada a entrar nas narinas, boca e pulmões da vítima ferida, até que a morte por asfixia sobreveio.
A mãe de um dos meninos vai recorrer da sentença. "Muito pesada".


Jorge Miguel Gonçalves (foto) in Público

1 de agosto de 2006


ABOLIR É PRECISO

Apesar de ter sido oficialmente abolida a escravatura no Brasil a 13 de maio de 1888 (em Portugal o processo iniciou-se em 1854, com os escravos pertencentes ao Estado, a Igreja seguiu o exemplo dois anos mais tarde e finalmente a lei foi promulgada para todo o país em 25 de Fevereiro de 1869), ela continua a existir, sob formas um pouco diferentes, nalgumas regiões. Sobretudo, nos estados de Mato Grosso e do Pará, Da Agência Brasil, encontrei esta notícia, já com algum tempo. Mas que retrata uma situação longe de ser ultrapassada.

"Governo propõe a fazendeiros compromisso para acabar com escravidão

A reunião entre o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi, do Trabalho e
Emprego, Luiz Marinho, e o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), resultou em uma proposta de parceria
com as unidades produtivas do estado para erradicar o trabalho escravo na região.
O Mato Grosso foi o estado brasileiro em que mais trabalhadores foram resgatados do trabalho escravo no ano
passado. Os proprietários de terra serão convidados para assinarem um termo de compromisso pelo fim do trabalho
escravo. (...)

As unidades produtivas que não assinarem o pacto serão rigorosamente fiscalizadas pelos grupos especiais de
fiscalização móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). De acordo com o ministro do trabalho, Luiz Marinho,
existem no Brasil cerca de 25 mil trabalhadores em situação análoga à escravidão. "Olhando o mercado de trabalho
brasileiro nós estamos falando de um residual. Mas é um residual que incomoda, envergonha e que nós precisamos
acabar", afirma Marinho.

Em relação ao incidente ocorrido no dia oito de fevereiro, quando uma ação da Polícia Militar do Mato Grosso atacou a tiros
o Grupo Móvel de Fiscalização do MTE, Marinho afirmou que o proprietário da fazenda onde houve o conflito induziu a
polícia militar ao erro.

"Tanto para nós, do governo federal, quanto para o governo do estado, é um fato isolado e que nós temos que tratar como
fato isolado. O que é importante para nós é trabalharmos conjuntamente para avançarmos no combate ao trabalho
escravo e projetarmos no tempo uma meta para a erradicação", afirma Marinho."
Pois.
Para saber mais sobre este assunto ler AQUI


BÊ AGÁ

Quem andar por terras mineiras, dê um salto até Belo Horizonte (Minas Gerais). De 10 a 17 de Agosto decorre a feira do livro. A nuance para nós, que também temos feiras país afora, é que os programas culturais começam todos os dias às 9.30h da manhã e só acabam à noite. Além dos inevitáveis lançamentos, existe ainda um grande número de espectáculos (teatro, música, contadores de histórias) que atrai o público, non stop, até junto dos livros.
Belo Horizonte é uma belíssima cidade, capital da região mineira, com gente acolhedora e uma população afável. Destaque para a arquitectura do centro da cidade, desenhada por alguns dos grandes nomes da arquitectura brasileira.
A mim, pessoalmente, tem zonas que inexplicavelmente me fazem lembrar Lisboa. Sobretudo a zona do Jardim da Estrela, av. Álvares Cabral, por aí.
MUDANÇA DE ENDEREÇO

Amigos que escrevem para cá: o e-mail mudou. Devido à carga brutal de spam e ao facto de eu não querer comprar Rolex, aparelhos para expandir a anatomia ou responder a 200 mensagens de Olga, a boneca virtual, fazem com que vos diga que nos mudamos para o gmail.
O endereço é bestialmente difícil de fixar, mas ainda assim: prazerinculto@gmail.com
Fiquem à vontade.

27 de julho de 2006

O EXÍLIO
"A pianista Maria João Pires abandonou o Projecto Educativo de Belgais, que desenvolveu no concelho de Castelo Branco, e decidiu ir viver para o Brasil, onde já pediu a autorização de residência." in Público

Esta partida para o exílio de uma das nossas maiores pianistas é sintomática do desafecto nacional pela iniciativa e pelo talento. Se olharmos a história vemos que os melhores foram sempre ou quase obrigados a partir para terras onde pudessem respirar. Existir, sem que a mesquinhez nacional os puxasse constantemente para baixo. Portugal é, de facto, como o deus mitológico que comia os seus filhos à nascença. Não nos amamos. Não queremos ver a excelência, muito menos distingui-la publicamente.
Maria João vai para a terra da energia do Olodum, das baianas que nos destroem o palato com os seus acarajés e para os domingos eternamente em festa, de caruru em caruru.
Os meus amigos bahianos é que têm sorte. E, aqui para nós, trocar Castelo Branco por Salvador da Bahia, não é uma troca, é um prémio.
Pena que ,não tarda nada, descubra que a saudade se instalou clandestina no quarto da empregada. Afinal foram os portugueses que inventaram a palavra. Percebe-se como.

25 de julho de 2006


O DESTINO DAS ESTRELAS

Hoje fiquei a saber duas coisas.
A primeira que o livro da Fátima Lopes está em primeiro lugar no top de vendas. É sempre tocante ver nascer uma escritora numa cara tão familiar.
A segunda que amanhã, de acordo com a Maya (outra que anima tão bem as manhãs) vou ter um problema de varizes. E eu que nem sabia que as tinha. Devem-me nascer esta noite, com certeza...

Só por isto já vale a pena não emigrar. Sim, senhora. Grande dia...!




22 de julho de 2006

SÁBADO DE MANHÃ

Tomo o pequeno-almoço e leio "A MANCHA HUMANA" do Philip Roth. Há que tempos que andava para comprar este título. Aconteceu, ontem. Na Fnac, essa espantosa armadilha para as carteiras de quem gosta de livros, discos e filmes. Adiante.
Às vezes é difícil definir o que é um bom escritor. Um formidável escritor. Geralmente, não nos lembramos de nenhum, ou sempre do mesmo. Mas, hoje, enquanto iniciava a leitura deste livro, lembrei-me dessa questão. Um bom escritor é aquele que carrega o gigantesco peso de uma língua nos braços como se segurasse um recém-nascido. Balança-a e mostra-a aos convidados, que somos nós, os leitores, como se fosse o pai e a língua acabasse de nascer. E mais: ainda mal começa a gatinhar, e já nós conseguimos ver todo o seu destino formidável. Os grandes escritores são simples. Porque extraordinariamente complexos. Nós, os que escrevemos (eu, pelo menos) ficamos sempre calados de admiração por este domínio da palavra e do conteúdo. Tomamos consciência do tempo e do talento que serão precisos para fazer o mesmo. E duvidamos seriamente de um dia nos aproximarmos desta "simplicidade". E o pior é que não adiantaria imitar. A Arte não se compadece com a imitação. E esta é a maior armadilha da escrita. A maior parte dos livros publicados são escritos por antigos leitores. Por vezes, por pessoas que ganham a vida a redigir notícias ou a elaborar spots publicitários. Confundem o teclar com o "escrever". A admiração pelo talento. Porque leram; porque querem reproduzir essa admiração. E é louvável este gesto, no sentido que pretende apenas retribuir o que se retirou com a leitura de tantos livros. Mas a Literatura é outra coisa. Está para lá da vontade . Mesmo da boa vontade.
O Philip Roth não é uma "leitura de Verão". Nenhuma editora o lançaria neste período de vendas. O tempo é de sol, mar, bronzeadores e revistas fúteis. Tempo de livrinhos.
Há um tempo para tudo. Mesmo para a distracção do calor.
O Verão é que passará depressa e o nosso tempo de vida será escasso.

20 de julho de 2006

ILUSTRADORES Gosto da Anna Laura Cantone, por exemplo. Mistura desenhos com colagens, criando dimensões e texturas. Em Portugal, podemos ver o seu trabalho em livros como o sarcástico UMA NOIVA BELÍSSIMA, de Beatrice Masini (Livros Horizonte).

19 de julho de 2006


BOAS FÉRIAS SR. DOUTOR!

Hoje, o presidente da república convidou, por nossa conta, os cheer leaders do parlamento. No final, pareciam todos muito satisfeitos uns com os outros. Amanhã vai tudo de férias. Dois meses. Devem estar exaustos. Não têm a vida regalada, por exemplo, dos professores, que continuam a trabalhar na papelada, depois de terem contido a enxurrada de hormonas adolescentes durante 10 meses.
Claro, que pelo caminho, ficamos com um conjunto de leis importantes por aprovar. Mas deviam ter o cu doído. De tanto o esfregar de umas cadeiras para as outras.
Vão lá a banhos, vão. Quando voltarem, estamos cá de novo para vos pagar o brutal esforço.

18 de julho de 2006

PEQUENOS PRAZERES

O Elogio da Ginja, o "tratado afectivo-gastronómico-literário" de Paulo Moreiras sobre o fruto e a bebida que foi recentemente editado pela QuidNovi, numa edição acompanhada pelas excelentes fotografias de Paulo Cunha, será lançado em Óbidos, uma das capitais nacionais da Ginjinha, no próximo sábado, dia 22, pelas 18.00h, no Museu Municipal.

O livro é óptimo e o seu autor também. Conjugação rara.

17 de julho de 2006

ENQUANTO O SOL ARDE

o país desmembra-se, derrete. famílias, as de gente livre e as de obrigação, empurram-se sobre o alcatrão escorregadio do mapa, em direcção às praias, aos festivais, à avó a quem se começa a telefonar em Junho e que tem um grande quintal, a mesa sempre posta e que fica contente por saber que a descendência não está morta, apesar do silêncio dos meses. os jornais ficam sem nada para escrever e desenterram o mexerico, escarafucham na não-notícia como quem é obrigado a tirar uma salsazinha dos dentes para manter o emprego. os livros de Verão flutuam até às prateleiras, levezinhos, levezinhos..., as páginas à prova de grãos de areia e de autoreflexão. faz tanto calor no nosso país que até as trovoadas seriam bem-vindas para alguns. mas as trovoadas são secas, não trazem nada dentro. mas que vida poderia coexistir com o agitar de asas das cigarras?

14 de julho de 2006

14 DE JULHO

Amanhã, a Inveja, a Imbecilidade e a Mesquinhez nacionais começam a ir a banhos.
Queira Deus que não regressem.
O país agradece.

10 de julho de 2006

LA VICTOIRE

Zidane ganha a bota de ouro do mundial.
Calculo que seja por não existir o prémio "Capacete de Ferro"...